Carne produzida em laboratórios abre portas para um futuro sem matadouros

2 de maio de 2010
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A pro­dução de carne em lab­o­ratórios sem a neces­si­dade de matar ani­mais se afasta da ficção cien­tí­fica e pode­ria dar origem em menos de dez anos a um ham­búr­guer eco­logi­ca­mente correto.

A carne fer­men­tada é elab­o­rada a par­tir do cul­tivo em lab­o­ratório de células-tronco ou de mús­culo de ani­mais como fran­gos, por­cos ou cordeiros.

A alter­na­tiva, uma dos 50 invenções do ano segundo a revista “Time” em 2009, seria “mais saudável e menos polu­ente” e teria as mes­mas pro­teí­nas que a carne nor­mal, segundo seus defensores.

Sua pro­dução pode, inclu­sive, ser con­tro­lada, para evi­tar doenças como o mal da vaca louca ou a gripe A. Tam­bém será pos­sível pro­duzir carne light.

E até poder­e­mos fazer ham­búr­gueres que previnam ataques cardía­cos”, asse­gurou à Agên­cia Efe Jason Math­eny, dire­tor da New Har­vest, uma orga­ni­za­ção sem fins lucra­tivos que une esforços de cien­tis­tas de todo o mundo nesta área.

Para con­vencer as pes­soas que descon­fiam desse novo tipo de carne, Math­eny argu­menta que “a maior parte do que comemos vem de lab­o­ratórios, tudo é proces­sado”, como o leite e o queijo.

Sobre a pos­si­bil­i­dade de que estas práti­cas exper­i­men­tais pos­sam ter efeitos ines­per­a­dos para a saúde humana, respon­deu: “Não somos con­scientes de nen­hum risco”.

A invenção pode­ria ser uma solução para a insus­tentabil­i­dade em um plan­eta onde a pecuária dev­asta a Flo­reta Amazônica e agrava o aque­c­i­mento global, como aler­tou um relatório das Nações Unidas.

A fór­mula sec­reta está em uma espé­cie de sopa bio­médica com­posta de nutri­entes proce­dentes de sangue ani­mal e microorganismos.

Por enquanto, o resul­tado são ape­nas peque­nas tiras de carne de um cen­tímetro de com­pri­mento, nas quais é pos­sível acres­cen­tar proteínas.

Se a tec­nolo­gia con­tin­uar avançando, “de cinco a dez anos”, esti­mou Math­eny, essas tiras pode­riam pro­duzir sub­sti­tu­tos para a carne em grande escala, com uma tex­tura dura o sufi­ciente para ser masti­gada e com um sabor que poderá ser con­fun­dido com o de um bife “tradicional”.

O alto custo do processo é, segundo o cien­tista, o único obstáculo à com­er­cial­iza­ção do produto.

Pre­cisamos de sis­temas autom­a­ti­za­dos mais efi­cientes que não requeiram o tra­balho de pes­soas e encon­trar ingre­di­entes mais baratos, porque os de agora pro­ce­dem de pesquisa bio­médica”, explicou.

O Gov­erno holandês é o que mais investiu nas pesquisas, com um total de US$ 5 mil­hões, seguido por cen­tros de EUA, Japão, Aus­trália e dos países escandinavos.

Segundo o dire­tor da New Har­vest, grandes com­pan­hias de biotec­nolo­gia investem na pesquisa nos EUA, mas foi proibido de rev­e­lar seus nomes.

Estes avanços pode­riam acres­cen­tar uma nova linha de pro­du­tos ao mer­cado do setor dirigido aos con­sum­i­dores vegetarianos.

Este setor ocupa cada vez mais espaço nas prateleiras de super­me­r­ca­dos de todo o mundo, que já con­tam com ham­búr­gueres feitos de tofu ou soja.

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2 Responses to Carne produzida em laboratórios abre portas para um futuro sem matadouros

  1. […] This post was men­tioned on Twit­ter by Igor Soares and Igor Soares, LonelySpooky. LonelySpooky said: Carne pro­duzida em lab­o­ratórios abre por­tas para um futuro sem mata­douros http://bit.ly/bhI04t #célu­las­tronco #biolo­gia #genética #ciência […]

  2. Patricia on 2 de maio de 2010 at 23:12

    Olha que a ideia é bas­tante inter­es­sante, espero ver a adesão dos “carnívoros”.
    Pra quem é veg­e­tar­i­ano isso não será prob­lema rs…Já existe a carne de soja(eu não gostei mt) mas tem uma sal­sicha de soja que não deixa nada a dese­jar a tradi­cional, con­fesso que achei até mais saborosa. Vale fazer um esforcinho e exper­i­men­tar.
    Abs.

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