Fóssil revela que velociraptor comia carniça

6 de abril de 2010
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Paleontólogos da Academia de Ciências Chinesa em Pequim descobriram fósseis de um Velociraptor que estava devorando um dinossauro herbívoro maior

Pale­on­tól­o­gos da Acad­e­mia de Ciên­cias Chi­nesa em Pequim desco­bri­ram fós­seis de um Veloci­rap­tor que estava devo­rando um dinos­sauro her­bívoro maior.

Os cien­tis­tas acred­i­tam que o dinos­sauro carnívoro estava se ali­men­tando da carniça de um Protecerátopo.

O fós­sil mostra a marca dos dentes nos ossos do herbívoro

Os dentes do predador se encaixam nas mar­cas encon­tradas nos ossos do her­bívoro e mostra que os Veloci­rap­tors não ape­nas se ali­men­tavam de pre­sas que caçavam, como tam­bém de ani­mais encon­tra­dos mortos.

A descoberta é mais uma prova desse com­por­ta­mento dos dinos­sauros predadores, e reforçam a expli­cação dada para um fós­sil encon­trado em 1971, con­hecido como “dinos­sauros em combate.”

O famoso fós­sil mostra um Veloci­rap­tor e um Pro­to­cerá­topo aparente­mente trava­dos em com­bate. Acredita-se que os dois ani­mais mor­reram ao mesmo tempo, e que a luta tivesse sido moti­vada por neces­si­dade de ali­men­tação por parte do predador.

O novo fós­sil fornece evidên­cias de que o Veloci­rap­tor se ali­men­tava do Pro­to­cerá­topo com fre­quên­cia, seja comendo a car­caça de um ani­mal já morto, ou caçando os herbívoros.

Até hoje os pale­on­tól­o­gos debatem o fós­sil de 1971 e muitos ainda con­sid­eram pos­sível que um dinos­sauro tenha matado o outro — a garra do Veloci­rap­tor está preser­vada, enter­rada na região da gar­ganta do Pro­to­cerá­topo (muito maior do que ele), que parece estar mor­dendo o braço dire­ito do predador.

Dieta

O fós­sil de 1971, por si só, não sig­nifi­caria, nec­es­sari­a­mente, que os Pro­to­cerá­to­pos ten­ham inte­grado a dieta reg­u­lar dos Veloci­rap­tors. Em vez disso, ele pode­ria rep­re­sen­tar um encon­tro for­tu­ito entre as duas espé­cies, que ter­mi­nou em briga.

A nova descoberta, pub­li­cada na revista espe­cial­izada “Palaeo­geog­ra­phy, Palaeo­cli­ma­tol­ogy, Palaeoe­col­ogy”, sug­ere que essa hipótese parece ser a mais improvável.

O pale­on­tól­ogo David Hone, da Acad­e­mia de Ciên­cias Chi­nesa em Pequim chefiou a equipe que fez a nova descoberta nos depósi­tos do período Cretáceo Supe­rior em Bayan Man­dahu, na região da Mongólia Inte­rior, na China.

Eles encon­traram vários ossos de Pro­to­cerá­topo já em avançado estado de erosão. Entre eles, estavam dois dentes de Velociraptor.

Uma análise rev­elou que os ossos do Pro­to­cerá­topo apre­sen­tava mar­cas que com­bi­navam com os dentes encontrados.

Os cien­tis­tas acred­i­tam que o mais provável é que, neste caso, o Veloci­rap­tor tenha se ali­men­tado da carcaça.

As mar­cas de dentes foram encon­tradas em partes da mandíbula”, disse Hone à BBC.

OS dentes encon­tra­dos se encaixam nas marcas

Os Pro­to­cerá­to­pos eram, provavel­mente, muito mais pesa­dos do que os Veloci­rap­tors, com muito mús­culo a ser comido. Por que ten­tar arran­car a carne das mandíbu­las, onde obvi­a­mente não há muito mús­culo, com tanta força que você arranha os ossos e perde dentes, a não ser que não hou­vesse muita opção?”

Em resumo, ele parece ter comido os restos deix­a­dos por alguém, já que o ani­mal se ali­men­ta­ria das ancas e da bar­riga antes (se ele tivesse matado o Protocerátopo).”

O fós­sil da luta dá a enten­der um com­por­ta­mento pre­datório. Com­bi­nando os dois fós­seis, temos boas provas dos dois com­por­ta­men­tos”, afirma Hone.

Ani­mais como o Veloci­rap­tor provavel­mente se ali­men­tavam de ani­mais como o Pro­to­cerá­topo reg­u­lar­mente, seja pela caça, seja comendo a carniça.”

Isso estaria de acordo com o com­por­ta­mento de muitos predadores mod­er­nos, já que quase todos os carnívoros, como os leões e os cha­cais, fazem as duas coisas.

É uma questão de grau”, diz Hone. “Os leões, na maio­ria das vezes, caçam, os cha­cais, na maio­ria das vezes, comem restos.”

Mesmo o mais ded­i­cado predador não desprezaria uma refeição ‘grátis’ se pas­sasse por um ani­mal morto com alguns pedaços de carne ainda disponíveis, e este parece ter sido o caso”, diz Hone.

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