Método para detecção de envenenamento por arsênico: química forense

Henrique
By Henrique março 3, 2010 13:55

Método para detecção de envenenamento por arsênico: química forense

Por mais de 12 séculos, o arsênico foi extremamente popular como [[veneno]]. Sua popularidade remonta ao [[século VIII]], quando o alquimista árabe Abu Musa Jabir Ibn Hayyan (721 – 815), conhecido como [[Geber]], descobriu uma maneira de converter o [[arsênico]] puro (que é um metal acinzentado) em óxido de arsênio[1. Ansari, Farzana Latif; Qureshi, Rumana; Qureshi, Masood Latif (1998), Electrocyclic reactions: from fundamentals to research, Wiley-VCH, p. 2, ISBN 3527297553] (As2O3, um pó branco, sem gosto e sem cheiro). Na sua forma de óxido, o arsênico pode ser facilmente adicionado à comida ou bebida de uma pessoa sem levantar suspeitas, uma vez que seguiu indetectável até o [[século XIX]]. Como resultado, o arsênico tornou-se popular em diversas classes, desde ladrões ordinários até reis, rainhas e papas. De fato, o arsênico era tão popular que foi apelidado de “pó de herança” porque costumava acelerar de forma muito conveniente a herança de tronos e títulos da nobreza.

Trióxido de arsênio

Os [[Bórgia]], figuram como o melhor exemplo do uso de arsênico para alcançar objetivos de poder. Foram uma das mais notáveis famílias da época da renascença, tornando-se célebres por sua índole corrupta durante o período em que um deles tornou-se Papa. Sobre a família, como um todo, pesavam acusações por diversos crimes, alguns com provas substanciais, como adultério, simonia, roubo, estupro, trapaça e assassinato por envenenamento.

Rodrigo Bórgia, conhecido por suas intrigas, foi eleito Papa em 1492 e adotou o nome de [[Alexandre VI]]. O Papa Alexandre VI teve diversos filhos reconhecidos, estando Lucrezia e Cesare entre os mais famosos. Cesare, apoiado pelo pai, tentou tornar-se o soberano da Itália, mas em 1503, o Papa Alexandre morreu subitamente e diz-se que ele e Cesare beberam, acidentalmente, de uma de suas próprias garrafas de vinho envenenadas.

Os sintomas do envenenamento por arsênico eram especialmente convenientes porque em muito se assemelhavam aos sintomas do [[cólera]], que era comum na época.

Conforme cresceu o interesse na ciência forense durante o [[século XIX]], um dos maiores problemas que se apresentavam aos químicos era, justamente, a identificação de arsênico no corpo, permitindo, então, o julgamento dos culpados por envenenamento.

Um grande número de cientistas e químicos forenses perseguiu esse objetivo, incluindo [[Mathieu Joseph Bonaventure Orfila]] (1787 – 1853), o “pai da toxicologia” e [[Karl Wilhelm Scheele]] (1742 – 86), um dos descobridores do [[oxigênio]]; entretanto, o primeiro a ter sucesso foi o químico britânico [[James Marsh]] (1794–1846).

Em 1832, Marsh estava empregado no Arsenal Britânico Real e foi convocado a testemunhar como perito no caso de envenenamento cujo suspeito era um tal [[George Bodle]]. Marsh tentou usar um teste tradicional de detecção de arsênico perante o juri. Nesse teste, sulfeto de hidrogênio gasoso é borbulhado numa solução contendo fluidos retirados do corpo envenenado. Se houvesse arsênico nesses fluidos, a solução ficaria amarela.

O teste deu resultado positivo, confirmando o envenenamento por arsênico, contudo, o juri considerou o réu inocente. De acordo com um observador, o juri não ficou convencido pelo teste de Marsh porque não puderam ver o arsênico (a substância metálica cinza).

Marsh ficou furioso, não apenas pela decisão do juri mas porque, tempos mais tarde, o [[réu]] confessaria que realmente havia cometido o envenenamento. Foi por esse motivo que Marsh decidiu criar um teste “à prova de leigos” para detecção de arsênico que fosse capaz de convencer até mesmo o mais ignorante dos observadores[2. Marsh J. (1836). “Account of a method of separating small quantities of arsenic from substances with which it may be mixed”. Edinburgh New Philosophical Journal 21: 229–236]. Essa tarefa tomou-lhe quatro anos, mas ele teve sucesso.

O teste que Marsh desenvolveu (e que hoje carrega seu nome) é usado ainda nos dias de hoje para detectar arsênico em amostras tão pequenas quanto 0.02 [[miligramas]].

O primeiro passo no teste de Marsh é adicionar zinco metálico puro e ácido sulfúrico à amostra a ser testada. Se arsênico (na forma de óxido de arsênico) estiver presente na amostra, será reduzido pelo zinco:

Nessa solução ácida, os íons As3- resultantes se combinam com íons hidrogênio do ácido sulfúrico para produzir um gás conhecido como arsina (AsH3):

A arsina é, então, passada por um longo tubo aquecido. Calor provoca a decomposição da arsina, que forma um filme prateado escuro de arsênico e gás hidrogênio:

O filme de arsênico é, muitas vezes, chamado de “espelho de arsênico” e seu tamanho é diretamente proporcional à quantidade de arsênico presente na amostra, o que significa dizer que quanto maior o espelho de arsênico, maior a quantidade de veneno presente no corpo, permitindo uma determinação quantitativa.

O teste de Marsh, contudo, não se transformou num sucesso absoluto, pois, conforme outros peritos passaram a usá-lo, um grande número de problemas começou a ocorrer. Por exemplo, o arsênico pode ocorrer naturalmente junto às amostras de zinco que contêm impurezas e levar a [[falsos-positivos]]. Hoje em dia, contudo, a pureza das substâncias já é suficiente para tornar o teste confiável.

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Henrique
By Henrique março 3, 2010 13:55
  • http://www.facebook.com/lonelyspooky Henrique Junior

    Não entendi muito bem a sua pergunta. O que exatamente você quer saber?

  • roberto

    equizema pulmonar, é sintoma do arsenico? Urgente!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    • http://www.facebook.com/lonelyspooky Henrique Junior

      Não, não.
      Os primeiros sintomas de envenenamento agudo por arsênio por digestão são problemas digestivos: vômito, dores abdominais, diarréia frequentemente acompanhada por sangramento. Doses sub-letais podem conduzir a convulsões, problemas cardiovasculares, inflamação do fígado e rins e anormalidades na coagulação do sangue. Estes são seguidos pela aparição de linhas brancas características (listras de Mees) sobre as unhas e por perda de cabelo. Doses mais baixas conduzem a problemas de fígado e rins e a mudanças na pigmentação da pele.

  • Demônio das sombras

    Não, mas os sintomas podem ser semelhantes. Por exemplo a nitida impressão de ter líquido
    nos pulmões.

  • joaquim guicciardi

    eu trabalho com o produto arsênico e cromo diluido á 2% gostaria de saber como faço para saber se ja estou contaminado ultimamente tenho sentido dor nos rins grato pelas informações.

    • LonelySpooky

      Olá, Joaquim.
      Os sintomas de envenenamento por arsênico começam com dores de cabeça, confusão, diarreia severa e sonolência. Conforme o envenenamento progride, convulsões e mudanças na pigmentação da pele (leuconíquia, que são aquelas manchas brancas nas unhas) pode ocorrer. Quando o envenenamento se torna agudo, os sintomas podem incluir diarreia, vômito, sangue na urina, cãibras musculares, perda de cabelo e convulsões. Os órgãos mais afetados pelo arsênico são pulmões, pele, rins e fígado. O resultado final pode ser coma ou morte. Lembre-se de que envenenamento por arsênico era confundido com o cólera.
      Se estiver com alguns desses sintomas, você precisa fazer um exame de sangue específico para identificação de arsênico. Não perca tempo.

  • wilson

    adorei

Comentários recentes

  • Sofia Inanna

    Sofia Inanna

    O cristianismo é uma farsa! Aprendam a VERDADE agora!!!! O cristianismo não é nada mais do que um programa de mentiras, …

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  • Emanuelle Braga

    Emanuelle Braga

    Ain pq com Deus não se pode brincar... mimimi AH PARA DE PALHAÇADA.

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  • Antonio Filha

    Antonio Filha

    poderia passar para mim...antonio.jsa@hotmail.com, ficarei grato, gratidão.

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