À primeira vista, não há nada estranho sobre o elemento 99 da tabela periódica chamar-se “Einstênio”. Afinal, Einstein é o cientista mais famoso que já viveu. No entanto, ser famoso não é, geralmente, razão suficiente para torná-lo parte do clube exclusivo dos elementos. Ao contrário de Lawrence, Rutherford, Seaborg e Bohr, que foram honrados, não há um Newton ou um Laplace, Dalton ou Feynman. Nem mesmo o novo santo da ciência, Darwin.
A pista para a posição de Einstein é que muitos desses, cujos nomes foram dados a elementos, desempenharam um papel fundamental em nossa compreensão da estrutura atômica. Existe um caso altamente duvidoso — mas Einstein não é um deles. Ele não está na tabela, porque ele é famoso, nem apenas pela teoria da relatividade, mas porque alguns dos fundamentos da teoria quântica, que explica como os átomos interagem foram fundamentados por Einstein. Além do mais, o estudo do movimento browniano desenvolvido por ele foi o primeiro trabalho sério para dar peso à idéia de que átomos realmente existiam.
Para uma figura tão grande e importante quanto Einstein, einstênio, entretanto, é um elemento bastante inútil. É um dos actinídeos, a segunda das linhas flutuantes da tabela periódica que estão numericamente espremidas entre o rádio e lawrêncio. Embora somente pequenas quantidades de einstênio tenham sido produzidas, é suficiente para determinar que, assim como seus vizinhos mais próximos na tabela é um metal prateado. Cerca de vinte isótopos foram produzidos com semi-vidas — que é o tempo que demora o decaimento de metade da quantidade da substância — que vão de segundos a mais de um ano, embora o isótopo mais comum, einstênio 253 só tem uma vida média de 20 dias.
Além de seu nome, o que faz einstênio se destacar é a forma como foi produzido pela primeira vez. Quando a União Soviética desenvolveu a sua própria bomba atômica, a América achou que tinha que ter algo ainda mais poderoso para manter-se à frente. Usando uma bomba atômica como um gatilho, o novo tipo de dispositivo, chamado de ‘Super’ aplicaria tanto calor e pressão sobre o isótopo do hidrogênio chamado deutério, que os átomos se fundiriam, exatamente como eles fazem no Sol. Esta seria a primeira arma termonuclear. A bomba H.
Depois de meses de ensaios técnicos de componentes, a primeira bomba termonuclear estava pronta para ser testada em uma ilha numa localização remota, Elugelab no Atol Eniwetok no sul do Pacífico. Assim como os inocentes nomes de Little Boy e Fat Man — as bombas que foram lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki — essa bomba também tinha um apelido. Chamava-se “a salsicha” por causa de sua forma cilíndrica.
Quando a bomba explodiu em 1º de novembro de 1952, produziu uma explosão com o poder de mais de 10 milhões de toneladas de TNT — quinhentas vezes o poder destrutivo da explosão de Nagasaki, pulverizando totalmente a pequena ilha. Isso foi somente um dispositivo de teste — com peso acima de 80 toneladas e exigindo uma estrutura de cerca de 50 metros de altura para suportá-lo, o que significa que ele nunca poderia ter sido, realmente, implantado numa situação de guerra -, mas revelou-se, muito claramente, a capacidade da arma termonuclear. E nos momentos daquela intensa explosão produziu-se um novo elemento.
Como parte da sequência do teste, toneladas de detritos da explosão foram enviados para Berkeley, o lar da criação de elementos, para o serem examinados. Entre as cinzas e restos de coral calcinados foram encontradas algumas centenas de átomos do elemento 99, que viria a ser chamado Einstênio. O segredo envolvendo esse teste era tão grande que a descoberta do elemento não foi tornada pública por três anos. Foi na Physical Review de 1º de agosto de 1955 a primeira vez que o descobridor Albert Ghiorso e seus colegas primeiro sugeriram o nome Einstênio.
No intenso calor e pressão da explosão, parte do urânio na bomba de fissão que foi usado para acionar o inferno termonuclear tinha sido bombardeado com um enorme número de nêutrons, gerando uma dispersão de átomos mais pesados. Ao mesmo tempo, nêutrons nos núcleos dos átomos recém-formados sofreram “decaimento beta”, produzindo um elétron e um próton. Então, ao invés de apenas pegar isótopos de urânio mais pesados, o resultado foi o sonho alquimista da transmutação, formando o einstênio 253.
Não surpreendentemente, este método de produção jamais é empregado hoje em dia. Agora, quando einstênio é necessário, o plutônio é bombardeado com nêutrons em um reator durante vários anos até que agregar o suficiente de nêutrons extra no núcleo para tornar-se em Einstênio. Isto produz apenas pequenas quantidades — de fato, após a sua descoberta, levou pelo menos 9 anos até que tenha sido produzido o suficiente para ser capaz de vê-lo.
Em parte, as quantidades mínimas de einstênio que foram feitas refletem a dificuldade de produzi-lo. Mas ela também recebe o prêmio triste de não ter utilizações conhecidas. Não há, realmente, nenhuma razão para fazer einstênio, exceto como um ponto de passagem na rota para produzir outra coisa. É um elemento sem um papel na vida.
Começamos a entender porque Einstein deveria ser honrado na tabela periódica. É verdade que Albert Einstein deu uma contribuição enorme para a compreensão dos átomos e estrutura atômica. Mas é difícil não ver a sua presença no einstênio ser apenas por causa da aplicação que ele odiava de sua icônica equação E=mc²: a conversão de energia em massa para as armas mais destrutivas do mundo.
Se Einstein pode ser considerado o pai da explosão nuclear, então einstênio será sempre a cria da bomba.
Compostos conhecidos
A seguir vemos uma lista de todos os comportos de einstênio conhecidos
- EsBr3 – Brometo de einstênio (III)
- EsCl2 Cloreto de einstênio (II)
- EsCl3 Cloreto de einstênio (III)
- EsF3 Fluoreto de einstênio (III)
- EsI2 Iodeto de einstênio (II)
- EsI3 Iodeto de einstênio (III)
- Es2O3 Óxido de einstênio (III)
Fonte: http://www.rsc.org



Santo da ciência? Depois os adoradores fervorosos são religiosos…
Acho que o termo usado foi “novo santo”, porque 2009 foi uma data comemorativa para o evolucionismo e houve muita publicidade acerca de Darwin.
Santo, novo santo, com aspas ou sem, dá no mesmo. Foi um ano onde muita bobagem foi falada por conta das comemorações.
Pelo menos uma vez na vida boa parte deles se divertiu.
gostei da página e bem legal e favorativa em detalhes