Einstênio: o elemento químico sem nenhuma utilidade conhecida

23 de janeiro de 2010
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Albert Ein­stein

À primeira vista, não há nada estranho sobre o ele­mento 99 da tabela per­iódica chamar-se “Ein­stênio”. Afi­nal, Ein­stein é o cien­tista mais famoso que já viveu. No entanto, ser famoso não é, geral­mente, razão sufi­ciente para torná-lo parte do clube exclu­sivo dos ele­men­tos. Ao con­trário de Lawrence, Ruther­ford, Seaborg e Bohr, que foram hon­ra­dos, não há um New­ton ou um Laplace, Dal­ton ou Feyn­man. Nem mesmo o novo santo da ciên­cia, Darwin.

A pista para a posição de Ein­stein é que muitos desses, cujos nomes foram dados a ele­men­tos, desem­pen­haram um papel fun­da­men­tal em nossa com­preen­são da estru­tura atômica. Existe um caso alta­mente duvi­doso — mas Ein­stein não é um deles. Ele não está na tabela, porque ele é famoso, nem ape­nas pela teo­ria da rel­a­tivi­dade, mas porque alguns dos fun­da­men­tos da teo­ria quân­tica, que explica como os átomos inter­agem foram fun­da­men­ta­dos por Ein­stein. Além do mais, o estudo do movi­mento brow­n­i­ano desen­volvido por ele foi o primeiro tra­balho sério para dar peso à idéia de que átomos real­mente existiam.

Para uma figura tão grande e impor­tante quanto Ein­stein, ein­stênio, entre­tanto, é um ele­mento bas­tante inútil. É um dos act­inídeos, a segunda das lin­has flu­tu­antes da tabela per­iódica que estão numeri­ca­mente espremi­das entre o rádio e lawrên­cio. Emb­ora somente peque­nas quan­ti­dades de ein­stênio ten­ham sido pro­duzi­das, é sufi­ciente para deter­mi­nar que, assim como seus viz­in­hos mais próx­i­mos na tabela é um metal prateado. Cerca de vinte isó­to­pos foram pro­duzi­dos com semi-vidas — que é o tempo que demora o decai­mento de metade da quan­ti­dade da sub­stân­cia — que vão de segun­dos a mais de um ano, emb­ora o isó­topo mais comum, ein­stênio 253 só tem uma vida média de 20 dias.

Além de seu nome, o que faz ein­stênio se destacar é a forma como foi pro­duzido pela primeira vez. Quando a União Soviética desen­volveu a sua própria bomba atômica, a América achou que tinha que ter algo ainda mais poderoso para manter-se à frente. Usando uma bomba atômica como um gatilho, o novo tipo de dis­pos­i­tivo, chamado de ‘Super’ apli­caria tanto calor e pressão sobre o isó­topo do hidrogênio chamado deutério, que os átomos se fundiriam, exata­mente como eles fazem no Sol. Esta seria a primeira arma ter­monu­clear. A bomba H.

Depois de meses de ensaios téc­ni­cos de com­po­nentes, a primeira bomba ter­monu­clear estava pronta para ser tes­tada em uma ilha numa local­iza­ção remota, Eluge­lab no Atol Eni­we­tok no sul do Pací­fico. Assim como os inocentes nomes de Lit­tle Boy e Fat Man — as bom­bas que foram lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki — essa bomba tam­bém tinha um apelido. Chamava-se “a sal­sicha” por causa de sua forma cilíndrica.

Quando a bomba explodiu em 1º de novem­bro de 1952, pro­duziu uma explosão com o poder de mais de 10 mil­hões de toneladas de TNT — quin­hen­tas vezes o poder destru­tivo da explosão de Nagasaki, pul­ver­izando total­mente a pequena ilha. Isso foi somente um dis­pos­i­tivo de teste — com peso acima de 80 toneladas e exigindo uma estru­tura de cerca de 50 met­ros de altura para suportá-lo, o que sig­nifica que ele nunca pode­ria ter sido, real­mente, implan­tado numa situ­ação de guerra -, mas revelou-se, muito clara­mente, a capaci­dade da arma ter­monu­clear. E nos momen­tos daquela intensa explosão produziu-se um novo elemento.

Tri­odeto de einstênio

Como parte da sequên­cia do teste, toneladas de detri­tos da explosão foram envi­a­dos para Berke­ley, o lar da cri­ação de ele­men­tos, para o serem exam­i­na­dos. Entre as cin­zas e restos de coral cal­ci­na­dos foram encon­tradas algu­mas cen­te­nas de átomos do ele­mento 99, que viria a ser chamado Ein­stênio. O seg­redo envol­vendo esse teste era tão grande que a descoberta do ele­mento não foi tor­nada pública por três anos. Foi na Phys­i­cal Review de 1º de agosto de 1955 a primeira vez que o desco­bri­dor Albert Ghiorso e seus cole­gas primeiro sug­eri­ram o nome Einstênio.

No intenso calor e pressão da explosão, parte do urânio na bomba de fis­são que foi usado para acionar o inferno ter­monu­clear tinha sido bom­bardeado com um enorme número de nêutrons, gerando uma dis­per­são de átomos mais pesa­dos. Ao mesmo tempo, nêutrons nos núcleos dos átomos recém-formados sofr­eram “decai­mento beta”, pro­duzindo um elétron e um pró­ton. Então, ao invés de ape­nas pegar isó­to­pos de urânio mais pesa­dos, o resul­tado foi o sonho alquimista da trans­mu­tação, for­mando o ein­stênio 253.

Não sur­preen­den­te­mente, este método de pro­dução jamais é empre­gado hoje em dia. Agora, quando ein­stênio é necessário, o plutônio é bom­bardeado com nêutrons em um reator durante vários anos até que agre­gar o sufi­ciente de nêutrons extra no núcleo para tornar-se em Ein­stênio. Isto pro­duz ape­nas peque­nas quan­ti­dades — de fato, após a sua descoberta, levou pelo menos 9 anos até que tenha sido pro­duzido o sufi­ciente para ser capaz de vê-lo.

Em parte, as quan­ti­dades mín­i­mas de ein­stênio que foram feitas refletem a difi­cul­dade de produzi-lo. Mas ela tam­bém recebe o prêmio triste de não ter uti­liza­ções con­heci­das. Não há, real­mente, nen­huma razão para fazer ein­stênio, exceto como um ponto de pas­sagem na rota para pro­duzir outra coisa. É um ele­mento sem um papel na vida.

Começamos a enten­der porque Ein­stein dev­e­ria ser hon­rado na tabela per­iódica. É ver­dade que Albert Ein­stein deu uma con­tribuição enorme para a com­preen­são dos átomos e estru­tura atômica. Mas é difí­cil não ver a sua pre­sença no ein­stênio ser ape­nas por causa da apli­cação que ele odi­ava de sua icônica equação E=mc²: a con­ver­são de ener­gia em massa para as armas mais destru­ti­vas do mundo.

Se Ein­stein pode ser con­sid­er­ado o pai da explosão nuclear, então ein­stênio será sem­pre a cria da bomba.

Com­pos­tos conhecidos

A seguir vemos uma lista de todos os com­por­tos de ein­stênio conhecidos

  • EsBr3 – Brometo de ein­stênio (III)
  • EsCl2 Cloreto de ein­stênio (II)
  • EsCl3 Cloreto de ein­stênio (III)
  • EsF3 Flu­o­reto de ein­stênio (III)
  • EsI2 Iodeto de ein­stênio (II)
  • EsI3 Iodeto de ein­stênio (III)
  • Es2O3 Óxido de ein­stênio (III)

Fonte: http://www.rsc.org

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4 Responses to Einstênio: o elemento químico sem nenhuma utilidade conhecida

  1. teseu on 24 de janeiro de 2010 at 05:17

    Santo da ciên­cia? Depois os ado­radores fer­vorosos são religiosos…

    • LonelySpooky on 24 de janeiro de 2010 at 11:33

      Acho que o termo usado foi “novo santo”, porque 2009 foi uma data comem­o­ra­tiva para o evolu­cionismo e houve muita pub­li­ci­dade acerca de Darwin.

      • teseu on 25 de janeiro de 2010 at 16:29

        Santo, novo santo, com aspas ou sem, dá no mesmo. Foi um ano onde muita bobagem foi fal­ada por conta das comem­o­rações.
        Pelo menos uma vez na vida boa parte deles se divertiu.

  2. natalia on 3 de maio de 2011 at 15:04

    gostei da página e bem legal e favo­ra­tiva em detalhes

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