Sal de Azul da Prússia ligado à origem da vida

16 de dezembro de 2009
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Uma equipe de pesquisadores do Cen­tro de Astro­bi­olo­gia (INTA-CSIC), mostrou que o ácido cianí­drico, ureia e out­ras sub­stân­cias con­sid­er­adas essen­ci­ais para a for­mação das molécu­las biológ­i­cas mais bási­cas podem ser obti­dos a par­tir do sal de azul da Prús­sia. A fim de realizar este estudo, pub­li­cado na revista Chem­istry & Bio­di­ver­sity1, Os cien­tis­tas recri­aram as condições. quími­cas da Terra primitiva.

Mostramos que quando azul da Prús­sia é dis­solvido em soluções amo­ni­a­cais, pro­duz cianeto de hidrogênio, uma sub­stân­cia que pode­ria ter desem­pen­hado um papel fun­da­men­tal na cri­ação das primeiras bio-moléculas orgâni­cas, bem como out­ros pre­cur­sores para a origem da vida, tais como ureia, ácido lático e dimetil-hidantoína”, disse Marta Ruiz Bermejo, prin­ci­pal autora do estudo e pesquisadora do Cen­tro de Astro­bi­olo­gia (CSIC-INTA).

A ureia é con­sid­er­ada um impor­tante reagente na sín­tese de pir­im­id­i­nas (os deriva­dos de que são for­ma­dos parte dos ácidos nucle­icos, DNA e RNA), e tem sido sug­erido que a hidan­toína pode ser a pre­cur­sora dos pep­tídeos e aminoá­ci­dos (com­po­nentes das pro­teí­nas), enquanto que o ácido lác­tico é tam­bém de inter­esse biológico, porque, junto com o ácido málico, pode desem­pen­har um papel em sis­temas do tipo doador-receptor de elétrons.

A pesquisadora e sua equipe provaram que estes e out­ros com­pos­tos são for­ma­dos pelo cianeto do sal de azul da Prús­sia (um nome que se ref­ere ao corante usado nos uni­formes do exército prus­siano) quando ele é sub­metido, durante vários dias, a condições de pH 12 e tem­per­at­uras rel­a­ti­va­mente ele­vadas (entre 70 e 150 º C), em umi­dade, num ambi­ente amo­ni­a­cal e sem oxigênio, semel­hante às condições da Terra prim­i­tiva. Os resul­ta­dos do estudo foram pub­li­ca­dos recen­te­mente na revista Chem­istry & Biodiversity.

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A grande Onda de Kana­gawa” faz uso exten­sivo do Azul da Prússia.

Além disso, quando se decom­põe o azul da Prús­sia, neste ambi­ente amo­ni­a­cal e sem oxigênio, este sal com­plexo, chamado de ferro (III) hexa­ciano­fer­rato (II), tam­bém acaba se tor­nando um exce­lente pre­cur­sor da hematita, a mais estável e comu­mente encon­trada forma de óxido de ferro (III) sobre a super­fí­cie da Terra “, explica Ruiz Bermejo.

A hematita está rela­cionada com o que é chamado de For­mação de ferro ban­dado (BIF, na sigla em inglês), a origem biológ­ica ou geológ­ica que é fonte de um intenso debate entre os cien­tis­tas. A mais antiga destas for­mações, com mais de dois bil­hões de anos, foi encon­trada na Austrália.

Os pesquisadores têm con­fir­mado em out­ros estu­dos que o azul da Prús­sia pode ser obtido em condições pré-bióticas (a par­tir de íons de ferro e metano na atmos­fera, medi­ante descar­gas elétri­cas). A sín­tese desse sal e sua con­se­quente trans­for­mação em hematita ofer­ece um mod­elo alter­na­tivo para explicar a for­mação das ban­das de ferro em condições abióti­cas e na ausên­cia de oxigênio.

Ruiz Bermejo con­clui que o azul da Prús­sia “pode­ria fun­cionar como um con­cen­trador de car­bono na hidros­fera pré-biótica, e que a sua decom­posição úmida em condições anóx­i­cas pode­ria lib­erar o cianeto de hidrogênio e o cianeto, com a sub­se­quente for­mação de molécu­las orgâni­cas e óxidos de ferro.”

Fonte: Sci­ence Daily

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  1. Ruiz-Bermejo et al. Ther­mal Wet Decom­po­si­tion of Pruss­ian Blue: Impli­ca­tions for Pre­bi­otic Chem­istry. Chem­istry & Bio­di­ver­sity, 2009; 6 (9): 1309 DOI:
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