Star Trek 2009 — Um reboot no clássico?

5 de dezembro de 2009
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star-trek_posteraNa época em que estreou o novo filme de Jor­nada nas Estre­las (Star Trek) nos cin­e­mas, tive tudo plane­jado para ir assi­s­tir à volta da fran­quia, con­tudo, por falta de tempo, acabou não sendo possível.

Quando o filme saiu dos cir­cuitos, resisti à ten­tação de baixar uma cópia pirata, tudo em nome da qual­i­dade de áudio e vídeo: assi­s­tir ao novo filme com o máx­imo pos­sível de qual­i­dade é obri­gação de qual­quer trekker que se preze e, por isso, aguardei até que a locadora mais próx­ima tivesse uma cópia orig­i­nal do DVD (com comen­tários do dire­tor) para que eu pudesse avaliar e desco­brir se essa nova ger­ação de atores e dire­tores não tinha cometido o sac­rilé­gio de mac­u­lar um clás­sico ado­rado da ficção cien­tí­fica. Se você não viu o filme ainda, deixo o aviso: esse texto con­tém spoilers.

Começando pelos pon­tos pos­i­tivos, a car­ac­ter­i­za­ção dos per­son­agens ficou, no geral, muito boa, Zachary Quinto esteve bem no papel de Spock, emb­ora pareça muito mais humano do que aquele inter­pre­tado por Leonard Nimoy e Kirk, impetu­oso, des­bo­cado e inteligente, tam­bém ficou inter­es­sante em Chris Pine; McCoy, por outro lado, ficou muito longe daquele médico ranz­inza que todos amamos e foi trans­for­mado num tipo de psicótico chato, que é con­tra tudo, reclama de tudo e está sem­pre com aquela cara de perseguido.

Visual­mente o filme é bonito, mas não era de se esperar algo difer­ente, afi­nal, esta­mos no finalz­inho de 2009, com efeitos espe­ci­ais muito supe­ri­ores ao que Star Trek já teve antes.

Ditos os pon­tos pos­i­tivos, começam os neg­a­tivos: o filme é um insulto ao cânon de Gene Rodem­berry e, em cer­tos momen­tos beira o bizarro (como ver Spock bei­jando Uhura no tur­boel­e­vador) ou ver Scotty jogado num posto avançado no meio do nada. A des­culpa de “uni­verso alter­na­tivo” é a des­culpa mais esfar­ra­pada do mundo para poder escol­ham­bar com car­ac­terís­ti­cas muito bem con­sol­i­dadas do Uni­verso de Star Trek.

O filme tam­bém é um insulto à inteligên­cia do público quando dá a enten­der que a USS Enter­prise, a nave mais nova da Fed­er­ação dos Plan­e­tas Unidos, saiu em mis­são ofi­cial urgente sem quase nen­hum ofi­cial grad­u­ado, repleta de cadetes de vinte e poucos anos. Pior do que isso é ter que engolir que James T. Kirck, um jovem porra-louca da acad­e­mia acabe sendo o capitão da nave prati­ca­mente por acaso:

- Ei! Você não quer ser capitão da Enter­prise?
– Eu? Mas sou só um arru­a­ceiro genial que gosta de bebidas, mul­heres e apos­tas!
– Ahhhh! Não seja tão duro con­sigo mesmo; sente aí na cadeira rapaz!

Pronto, surgiu um capitão.

O filme é feito para agradar aque­las pes­soas que não sabem a difer­ença entre Star Trek e Star Wars, tem bas­tante ação, naves explodindo e algum humor, mas, se você é um fã, vai ter­mi­nar de assi­s­tir ao filme bufando de raiva porque, clara­mente, se seguir o mesmo estilo, a nova safra de Star Trek vai ser voltada para um bando de imbe­cilóides e só vai nos restar (aos fãs de ver­dade) con­tin­uar a assi­s­tir aos clás­si­cos até que um buraco negro nos engula.

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19 Responses to Star Trek 2009 — Um reboot no clássico?

  1. TESEU on 7 de dezembro de 2009 at 18:26

    Bom, ñ sou trekker, gostei do filme. Além do mais é divertido.

    • LONELYSPOOKY on 7 de dezembro de 2009 at 19:27

      Diver­tido? Sim. Mas nem dá pra con­sid­erar isso como um “Star Trek” de ver­dade. Essa é a ver­são “Crepús­culo e Lua Nova” da fran­quia.
      Meu medo é que nunca mais ten­hamos um Star Trek de ver­dade, no lugar, ape­nas esses arreme­dos com mul­heres pei­tu­das e um Spock “pegador”. Triste…

      • TESEU on 30 de agosto de 2010 at 04:06

        Vi de novo essa sem­ana, con­tinuo achando diver­tido e ñ achei o Spock “pegador”, existe uma boa razão “lóg­ica” para o com­por­ta­mento dele.

        Na ver­dade, em ter­mos de filme da fran­quia, achei esse o mel­hor, ñ por ser novo e com efeitos espe­ci­ais, mas por tratar a estória bem. Os 1ºs filmes traziam a trip­u­lação orig­i­nal, mas muito velha, cada um já devia ter seguido seu rumo depois de tanto tempo. Os q vieram depois são quase todos lamen­táveis em roteiro, um q quase escapa e é mel­horz­inho é o 6º q trata da tran­sição para a nova geração.

        • LONELYSPOOKY on 30 de agosto de 2010 at 07:11

          Tam­bém vi de novo e con­tinuo achando lamen­tável. Até esse papo ridículo de “buraco negro portátil” é uma piada. Esse filme rompeu com uma das mais anti­gas tradições de Star Trek, que é uma base cien­tí­fica plausível, con­seguida pela assistên­cia de físi­cos e cien­tis­tas de ver­dade. Tudo isso foi jogado fora em prol de fazer um filme genérico e sem alma para agradar aos adolescentes.

          • TESEU on 30 de agosto de 2010 at 20:03

            Esse filme ñ fez nada difer­ente, o buraco negro portátil é tão ou mais aceitável q as vezes q a Enter­prise via­jou no tempo, no mel­hor estilo “fui por aci­dente e pra voltar é só fazer ao con­trário”. Ñ have­ria como saber se voltariam nem pra qdo. Um buraco negro cri­ado por uma sin­gu­lar­i­dade parece mais palatável.

            Ñ é o mel­hor filme de ficção, mas cer­ta­mente da franquia.

          • LONELYSPOOKY on 30 de agosto de 2010 at 20:15

            Se acom­pan­hasse a série veria que não é assim. Antes desse filme de 2009 todos os out­ros, mesmo os mais ridícu­los, tiveram bons con­sul­tores. É claro que a física era inven­tada, mas verossímil, por exem­plo, esta­bi­lizadores nos trans­portes para com­pen­sar o Princí­pio da Incerteza de Heisen­berg (que, de ver­dade, torna os trans­portes impos­síveis hoje). Um buraco negro den­tro de um plan­eta é ridículo, mesmo com toda a liber­dade poética.
            Na minha opinião, não adi­anta: o cin­ema cada vez mais vai virar uma fábrica de din­heiro sem nen­hum con­teúdo, alma ou pro­fun­di­dade. Como o próx­imo filme tam­bém vai ser dirigido pelo J. J Abra­hams, posso con­sid­erar a fran­quia morta por enquanto.

          • TESEU on 30 de agosto de 2010 at 20:25

            A for­mação do buraco ñ teve a ver com o plan­eta e sim com a matéria ver­melha, ao se for­mar uma sin­gu­lar­i­dade o buraco negro é esper­ado, pode­ria ser em qq lugar. Ñ tem nada de ridículo nisso.

            Tem coisa q parece mais absurda pas­sando no Dis­cov­ery, e lá só cien­tis­tas famosos falando.

            Vejo a fran­quia renascendo, já q a base de fãs tem de se ren­o­var pra ñ sumir.

            Sobre acom­pan­har a série, vi muitos da TOS e agora com os q me man­dou tô vendo todos da TNG, as out­ras, ñ vi e provavel­mente ñ verei, são mais fra­cas de roteiro q os filmes. Até agora o tipo de absurdo é o mesmo, real­i­dade para­lela ger­ada pelo holodeck e etc.

          • LONELYSPOOKY on 30 de agosto de 2010 at 20:33

            A condição pra for­mação de um buraco negro não é “o tipo de matéria” que o forma, mas a quan­ti­dade de matéria que ele tem, não importa a cor. Pra exi­s­tir, ele pre­cisa de muita matéria para devo­rar; por isso o mini buraco negro for­mado no CERN não rep­re­senta nen­huma ameaça: ele evap­ora antes mesmo de poder ser perce­bido porque, pelas con­tas, em um ano só con­seguiria devo­rar uns 5 pró­tons. Pra um buraco negro se tornar negro, pecis­aria, antes, con­sumir um bil­hão de sis­temas solares. Basta lem­brar que ape­nas estre­las 3 vezes ou mais maiores que o sol têm condições de virar bura­cos negros.

          • TESEU on 30 de agosto de 2010 at 20:42

            A sin­gu­lar­i­dade é jus­ta­mente isso, gde qtdade de massa em espaço muito reduzido. A matéria ver­melha é ape­nas uma rep­re­sen­tação de algo q ainda ñ con­hece­mos, como a com­posição do casco ou os “vidros” das janelas da nave.

          • LONELYSPOOKY on 30 de agosto de 2010 at 20:57

            Eu sei. O caso é que eu não posso sim­ples­mente inven­tar uma bar­bari­dade fisica e dizer que “acon­tece”. Se seu público alvo é um bando de ado­les­centes descere­bra­dos, tudo bem, mas o público de star trek é outra história.

          • TESEU on 31 de agosto de 2010 at 04:13

            Como disse, a bar­bari­dade física vem tanto das séries qto dos out­ros filmes, o fato de ñ con­hecer­mos a matéria ver­melha ñ exclui a pos­si­bil­i­dade de sua existên­cia. Se exi­s­tir, é plausível a cri­ação do buraco negro com ela.

            Difer­ente das via­gens no tempo, a ida aci­den­tal e a volta q dev­e­ria ser cal­cu­lada, ape­nas rever­tendo o processo. Isso sim é um absurdo cien­tí­fico. Ninguém sabe, inclu­sive os trip­u­lantes da nave, o q pode­ria acon­te­cer se sim­ples­mente des­fizer o q foi feito qdo a 1ª viagem aconteceu.

            O público aceitou esse tipo de absurdo em nome da diver­são da aven­tura ger­ada, essa me parece menos absurda, por­tanto, dirigida ao mesmo público. Se tb agrada aos ado­les­centes descere­bra­dos, isso ñ deve ser ruim, deve man­ter o legado por mais tempo.

  2. RAFAEL on 8 de dezembro de 2009 at 13:53

    Não sou um grande fã… mas por falta de tempo. Tenho vários livros, mas nunca assisti a um episó­dio. Vou ver o filme e analisá-lo pelo que con­heço… depois dou min­has impressões.

  3. ZAU on 29 de agosto de 2010 at 18:14

    O filme foi bem resum­ido pelo comentarista…

  4. TESEU on 31 de agosto de 2010 at 13:51

    O fato de ter um livro q explica algu­mas coisas ñ quer dizer nada, negar q possa exi­s­tir a matéria ver­melha somente pq vc ñ gos­tou dela, isso sim é coisa de crente, e crente bitolado.

    E ñ é pode pq pode, ape­nas por ñ con­hecer ñ assumir q é impos­sível, se fosse usar esse critério no resto da fran­quia ñ ia ter nada q sal­vasse. Difí­cil achar um episó­dio q seja em q ñ se tenha de assumir q algo fun­ciona e ñ podemos dizer como, nem teoricamente.

    E a matéria ver­melha ñ pode tudo, ape­nas provoca uma sin­gu­lar­i­dade, se é tão absurdo, imag­ina como foi absurdo qdo falaram da anti­matéria pela 1ª vez, em tese parece mais absurdo ainda, a difer­ença é q a entendemos.

    E vc acabou fug­indo pela tan­gente, nen­huma vez comen­tou as via­gens no tempo, focou na matéria ver­melha pq ñ gos­tou dela, mas aceita essas via­gens como algo q ñ desafia a física… tsc, francamente.

  5. LONELYSPOOKY on 31 de agosto de 2010 at 15:26

    Via­gens no tempo não desafiam a física: elas exis­tem, ocor­rem e são men­su­ráveis. Reló­gios atômi­cos colo­ca­dos em jatos e naves espa­ci­ais sofrem atra­sos que mostram a elas­ti­ci­dade do tempo, como Ein­stein pre­vira.
    Para as naves do uni­verso ST via­jarem no tempo exis­tem duas abor­da­gens: a Série Clás­sica usava a veloci­dade, a Nova Ger­ação dom­ina e netende a viagem no tempo, mas diz que os Bura­cos de Min­hoca não são con­fiáveis e impre­visíveis. No caso da Nova Ger­ação, o negó­cio e cobrir a nave com um campo de partícu­las que a pro­tege dos efeitos colat­erais de uma viagem no tempo con­tro­lada. Repare tam­bém que nunca uma Enter­prise via­jou para o futuro. Con­tex­tual­mente, quando você vem do século XXIV para o século XXI e depois quer voltar para o século XXIV isso é con­sid­er­ado via­jar para o futuro?
    O ponto chave é que o futuro ainda não foi escrito, por isso o Capitão Kirk não pode ir para o século XXX, mas ele pode voltar para o pre­sente dele, já que, fazendo uma analo­gia, o tempo se com­porta como um rio e você só pode nave­gar até os pon­tos onde o rio alcança.

  6. TESEU on 31 de agosto de 2010 at 16:07

    As via­gens no tempo em si, real­mente ñ desafiam a física, só as da Enter­prise, fica mel­hor corrigir.

    A série orig­i­nal, a veloci­dade, só leva ao futuro, a nova ger­ação diz q bura­cos negros ñ são con­fiáveis, mas sabe o exato momento pra onde via­jar, inter­es­sante conceito.

    E voltar ao século XXIV seria sim via­jar ao futuro. O q parece ñ ser pos­sível é jus­ta­mente a viagem ao pas­sado, por diver­sos motivos (a questão do para­doxo seria ape­nas uma).

    Há quem diga q a viagem ao pas­sado seria pos­sível se um dis­pos­i­tivo ao estilo buraco de min­hoca fosse cir­cu­lar, mas o pas­sado mais dis­tante acessível seria o momento em q tal dis­pos­i­tivo foi lig­ado a 1ª vez, ou seja, nunca ao século XX ou XXI.

    A licença poética necessária pra se diver­tir com esse tipo de estória, sem ofender os neurônios é do mesmo tamanho, señ menor, q pra aceitar q possa exi­s­tir a matéria vermelha.

    Dizer q é impos­sível q haja matéria ver­melha, seu próx­imo passo, vem depois de dizer o q seria exata­mente a matéria escura e a ener­gia escura. Podemos pos­tu­lar a existên­cia, mas é difí­cil dizer do q se trata, se seria uma coisa só, uma com­posição de out­ras coisas, assim como a matéria visível, pode ser muita coisa e pode ser nada, erros de cálculo.

    De uma maneira ou de outra, sim­ples­mente está restrito à capaci­dade de se diver­tir com a ficção, algo q sabe­mos ñ exi­s­tir, como o som no espaço, q deixa tudo inter­es­sante. A Enter­prise sem barulho de motor ficaria um saco, hehehehe!!!

  7. LONELYSPOOKY on 31 de agosto de 2010 at 16:38

    É claro que isso não é física básica. Per­gun­tei pra você antes se voltar ao século XXIV seria via­jar para o futuro e a resposta é: depende do ref­er­en­cial.
    Se é futuro ou pas­sado depende somente do ponto de vista do obser­vador. Não se engane; via­jar para o futuro é impos­sível, o tempo flui nor­mal­mente no uni­verso, ape­nas para o obser­vador que viaja acon­tece uma con­tração, que ele sequer percebe.
    E o para­doxo do avô hoje e dia tem uma resposta graças à teo­ria M.

  8. TESEU on 31 de agosto de 2010 at 17:10

    Mas a viagem ao futuro, do ponto de vista do obser­vador ñ pode haver per­cepção mesmo, jus­ta­mente daí está a viagem. Se ele percebesse o tempo ñ seria viagem, teria cor­rido como para os outros.

    E a teo­ria M dá uma saída ao para­doxo do avô, ape­nas como con­jec­tura, ñ como solução.

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