As mil e uma noites

27 de novembro de 2009
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1001noitesAssim como nos con­tos das mil e uma noites de Sher­azade, onde cada dia era uma nova esper­ança de vida, os Emi­ra­dos Árabes Unidos, famosos no mundo inteiro pela far­tura e quan­ti­dade de din­heiro gasto em extrav­agên­cias. Cada um desses emi­ra­dos é uma monar­quia abso­lutista, regida por um sultão. Alguns deles são mais con­heci­dos que out­ros, como Abu Dhabi e Dubai, em parte por con­struções impo­nentes que apare­cem na mídia.

O primeiro tem uma pista de cor­rida incluída esse ano no cal­endário ofi­cial da fór­mula um. Com a cor­rida sendo real­izada no fim da tarde para mostrar todo o inves­ti­mento feito no ambi­ente que muda con­forme a ilu­mi­nação do dia.

Torre_DubaiDubai tem mais con­struções sun­tu­osas que são con­heci­das, além de ser con­hecido há mais tempo. Tem o impres­sio­n­ante hotel sete estre­las, cuja quadra de tênis, colo­cada a mais de trezen­tos met­ros de altura, foi inau­gu­rada pelo então número um do mundo, Andre Agassi. Out­ras “mar­avil­has” da osten­tação incluem, entre out­ras, o maior pré­dio do mundo, uma pista de sky na neve no meio do deserto, ilhas arti­fi­ci­ais como onde fica o hotel, mas as mais impres­sio­n­antes são penín­su­las em forma de palmeiras, podendo ser vis­tas até do espaço.

Com uma das maiores ren­das per capita do plan­eta, tam­bém um dos maiores índices de desen­volvi­mento humano e ape­sar do tamanho do país, uma econo­mia muito bem colo­cada no rank­ing mundial, prove­niente prin­ci­pal­mente da pro­dução de petróleo, tudo sem­pre indi­cou que nada pode­ria abalar o cresci­mento inve­jável na entrada do golfo pérsico.

O que acon­te­ceria se o mais famoso e rico dos emi­ra­dos demon­strasse alguma fraqueza econômica? Um desas­tre? Que­bradeira geral dos investi­dores? Ontem fomos apre­sen­ta­dos a esse cenário ines­per­ado quando Dubai World, um dos maiores con­glom­er­a­dos da região, respon­sável por boa parte das majestosas con­struções, pede uma moratória de seis meses para o paga­mento de uma dívida de quase sessenta bil­hões de dólares. Entre os investi­dores, boa parter são ban­cos europeus, enfraque­ci­dos pela recente crise amer­i­cana, tor­nando um pos­sível calote numa espec­ta­tiva de colapso econômico mundial, de novo.

As bol­sas da Ásia e Europa caíram ontem e hoje, mas já há sinais de recu­per­ação por conta dos espec­u­ladores que, como sem­pre, pre­ten­dem gan­har com a perda dos out­ros. Isso tudo serve para mostrar o quanto é frágil nossa con­fi­ança e como  nem tudo pode ser com­prado. A difer­ença para a estória de Sher­azade é que ao final das mil e uma noites ela con­seguiu escapar de seu des­tino cruel, será que será assim em Dubai?Peninsula_Dubai

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One Response to As mil e uma noites

  1. LonelySpooky on 27 de novembro de 2009 at 22:21

    Tá de parabéns pelo texto. =)

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