Assim como nos contos das mil e uma noites de Sherazade, onde cada dia era uma nova esperança de vida, os Emirados Árabes Unidos, famosos no mundo inteiro pela fartura e quantidade de dinheiro gasto em extravagências. Cada um desses emirados é uma monarquia absolutista, regida por um sultão. Alguns deles são mais conhecidos que outros, como Abu Dhabi e Dubai, em parte por construções imponentes que aparecem na mídia.
O primeiro tem uma pista de corrida incluída esse ano no calendário oficial da fórmula um. Com a corrida sendo realizada no fim da tarde para mostrar todo o investimento feito no ambiente que muda conforme a iluminação do dia.
Dubai tem mais construções suntuosas que são conhecidas, além de ser conhecido há mais tempo. Tem o impressionante hotel sete estrelas, cuja quadra de tênis, colocada a mais de trezentos metros de altura, foi inaugurada pelo então número um do mundo, Andre Agassi. Outras “maravilhas” da ostentação incluem, entre outras, o maior prédio do mundo, uma pista de sky na neve no meio do deserto, ilhas artificiais como onde fica o hotel, mas as mais impressionantes são penínsulas em forma de palmeiras, podendo ser vistas até do espaço.
Com uma das maiores rendas per capita do planeta, também um dos maiores índices de desenvolvimento humano e apesar do tamanho do país, uma economia muito bem colocada no ranking mundial, proveniente principalmente da produção de petróleo, tudo sempre indicou que nada poderia abalar o crescimento invejável na entrada do golfo pérsico.
O que aconteceria se o mais famoso e rico dos emirados demonstrasse alguma fraqueza econômica? Um desastre? Quebradeira geral dos investidores? Ontem fomos apresentados a esse cenário inesperado quando Dubai World, um dos maiores conglomerados da região, responsável por boa parte das majestosas construções, pede uma moratória de seis meses para o pagamento de uma dívida de quase sessenta bilhões de dólares. Entre os investidores, boa parter são bancos europeus, enfraquecidos pela recente crise americana, tornando um possível calote numa espectativa de colapso econômico mundial, de novo.
As bolsas da Ásia e Europa caíram ontem e hoje, mas já há sinais de recuperação por conta dos especuladores que, como sempre, pretendem ganhar com a perda dos outros. Isso tudo serve para mostrar o quanto é frágil nossa confiança e como nem tudo pode ser comprado. A diferença para a estória de Sherazade é que ao final das mil e uma noites ela conseguiu escapar de seu destino cruel, será que será assim em Dubai?

Tá de parabéns pelo texto. =)