A gente costuma dizer que o povo brasileiro é criativo, mas só damos exemplos negativos ou na arte, principalmente música. Esses últimos são um bom exemplo, mas sempre achei pouco, pelo menos para quem deseja manter esse título de “povo criativo”.
Tinha como um bom exemplo de outra área a urna eletrônica, agora copiada mundialmente ou então emprestada mesmo pelo governo brasileiro, ajudando (ou não) democracias por todo o mundo. Achei que fosse um desses raros exemplos de orgulho nacional, já que de país do futebol vez por outra tomamos um “chocolate” para aprender a não falar demais.
Passei a prestar mais atenção, patriota que sou, e tenho achado cada vez mais exemplos de nossa suposta vantagem em criatividade. Como hoje vi dois deles, isso me motivou a escrever o post. O primeiro nem sei se é exclusividade nossa, mas desde meu tempo de escola vejo coisas assim, para motivar os alunos a fazerem os cálculos necessários para a construção de uma ponte, um concurso, já em sua 2ª edição, premia a melhor ponte construída com massa de macarrão.
Pode não parecer nada demais, mas com as regras impostas, ter pelo menos 1m de comprimento e no máximo 0,75 kg, ficaria bem difícil fazer uma ponte de macarrão que suportasse 5,5 kg forçando justamente seu vão central. A ponte vencedora da edição anterior, suportou 6 kg. Ao fazer os cálculos para uma ponte como essa, certamente o aluno está se preparando para o mundo real e ao mesmo tempo participando de uma competição, interagindo e muito possivelmente se divertindo. Uma forma bem criativa de promover tudo isso, sem dúvida.
O outro exemplo também vem da justiça, para quem não familiarizado, as eleições são responsabilidade dos tribunais eleitorais, não só o julgamento, mas todo o processo, o que inclui a ideia sobre as urnas e todo seu desenvolvimento, software, hardware e procedimentos.
Vi também a notícia de que um juiz que, recebendo confirmação de que um preso, por não pagamento de pensão, já havia quitado seus débitos, não tinha como enviar a ordem para o alvará de soltura (sem computador ou fax por perto, que são hoje o meio mais comum de transmissão, apesar de em alguns lugares o Telex ainda ser usado), resolveu enviar uma mensagem por SMS de seu celular para que o preso não passasse o feriado na cadeia.
Para um magistrado não se prender à burocracia, muitas vezes necessária, dos trâmites do judiciário brasileiro já é um grande feito, mas usar a tecnologia dessa forma para agilizar os processos é bem difícil. O exemplo ganhou espaço nas notícias, outros não chegam a tanto, apesar de serem soluções tão boas quanto essa.
Gostaria que esse tipo de iniciativa que fosse mais divulgada e conhecida como o “jeitinho brasileiro”, o que acontece é um tanto diferente, as coisas negativas, a vontade de levar vantagem em tudo, a tão admirada “malandragem” é que vemos ter mais espaço. Infelizmente carecemos de mais desses exemplos para não só seguir, mas ter também como cotidiano para que deixemos de lado os extremos do orgulho idiota de quando a seleção de futebol ganha e o outro lado onde parece que temos vergonha ou complexo de terceiro mundo.
Que os brasileiros são criativos isso é um fato. Pena que muito dessa criatividade é muito desperdiçada ou mal encaminhada pra picaretagens, maracutaias, golpes, tramóias e esquemas.
De um modo geral, o povo aprendeu com a tv a cultuar o “esperto”, e quando acha q tá levando vantagem, tá é perdendo. Faz gato na eletricidade, todos pagam mais caro, o serviço é instável, pra deixar apenas 1 exemplo.