Augusto dos Anjos: Eu e outras poesias

23 de outubro de 2009
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179238_4Augusto dos Anjos pub­lica sua única obra literária em 1912: “Eu”. Na época, o sucesso não foi o dese­jado, con­tudo, em 1920, criou: “Out­ras Poe­sias”. Mais adi­ante, logo após a Sem­ana de Arte Mod­erna, a con­sagração em vol­ume único: “Eu e Out­ras Poe­sias”. O autor mostra-se intri­g­ante na sua lit­er­atura, talvez, pela rudeza de temas som­brios, escat­ológi­cos, obsessão pela temática da morte e de uma vida mis­erável, como con­stam em “Ver­sos Ínti­mos”, por exem­plo: “Enterro, acostuma-te à lama que te espera!” Seu livro torna-se con­hecido. Sua poe­sia é inclas­si­ficável, em vir­tude da plu­ral­i­dade de esti­los. Seu acaba­mento tem ver­tente par­nasiana, rimas ricas, métrica incor­rigível e ainda, entre os seus decassíla­bos encontra-se uma inegável grandeza lírica, em poucos sone­tos, mas que expres­sam puras melo­dias que can­tam e encan­tam à alma brasileira.

Mini Biografia

Augusto dos Anjos nasceu no engenho Pau d’Arco, no municí­pio de Sapé, estado da Paraíba. Foi edu­cado nas primeiras letras pelo pai e estu­dou no Liceu Paraibano, onde viria a ser pro­fes­sor em 1908. Pre­coce poeta brasileiro, com­pôs os primeiros ver­sos aos 7 anos de idade.

Em 1903, ingres­sou no curso de Dire­ito na Fac­ul­dade de Dire­ito do Recife, bacharelando-se em 1907. Em 1910 casa-se com Ester Fialho. Seu con­tato com a leitura, influ­en­cia­ria muito na con­strução de sua dialética poética e visão de mundo.

Com a obra de Her­bert Spencer, teria apren­dido a inca­paci­dade de se con­hecer a essên­cia das coisas e com­preen­dido a evolução da natureza e da humanidade. De Ernst Haeckel, teria absorvido o con­ceito da mon­era como princí­pio da vida, e de que a morte e a vida são um puro fato químico. Arthur Schopen­hauer o teria inspi­rado a perce­ber que o aniquil­a­mento da von­tade própria seria a única saída para o ser humano. E da Bíblia Sagrada ao qual, tam­bém, não con­tes­tava sua essên­cia espir­i­tu­alís­tica, usando-a para con­tra­por, de forma poet­i­ca­mente agres­siva, os pen­sa­men­tos remanes­centes, em prin­ci­pal os ideais iluministas/materialistas que, endeusando-se, se emer­giam na sua época.

Essa filosofia, fora do con­texto europeu em que nascera, para Augusto dos Anjos seria a demon­stração da real­i­dade que via ao seu redor, com a crise de um modo de pro­dução pré-materialista, pro­pri­etários falindo e ex-escravos na mis­éria. O mundo seria rep­re­sen­tado por ele, então, como repleto dessa tragé­dia, cada ser vivenciando-a no nasci­mento e na morte.

Dedicou-se ao mag­istério, transferindo-se para o Rio de Janeiro, onde foi pro­fes­sor em vários esta­b­elec­i­men­tos de ensino. Fale­ceu em 12 de novem­bro de 1914, às 4 horas da madru­gada, aos 30 anos, em Leopold­ina, Minas Gerais, onde era dire­tor de um grupo esco­lar. A causa de sua morte foi a pneumonia.

Durante sua vida, pub­li­cou vários poe­mas em per­iódi­cos, o primeiro, Saudade, em 1900. Em 1912, pub­li­cou seu livro único de poe­mas, Eu. Após sua morte, seu amigo Órris Soares orga­ni­zaria uma edição chamada Eu e Out­ras Poe­sias, incluindo poe­mas até então não pub­li­ca­dos pelo autor.

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Eu e out­ras poe­sias (336)
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