Teoria de colisão entre planetas pode explicar a origem da Lua
Após o recente anúncio sobre a descoberta conclusiva de água na Lua e, cada vez mais gradativamente, os olhos da comunidade científica (e não científica) estão voltados para o nosso satélite natural, causando uma crescente expectativa a respeito das próximas viagens tripuladas onde poderemos tocá-la e debulhá-la com as próprias mãos.
A novidade da descoberta de água torna um pouco mais real e próximo o sonho da exploração humana (em pessoa) do espaço e veja que já se passaram 37 anos desde que o homem pisou pela última vez num corpo celeste que não fosse nosso próprio planeta.
Mesmo assim, mesmo estando tão perto de nós e com a tecnologia que dispomos para explorá-la sem sair de casa, a lua ainda guarda seus mistérios e isso, embora possa soar bastante poético acaba sendo uma verdade literal.
As análises de rochas lunares trazidas pela Apollo 17 são bastante esclarecedoras já que mostram quantidades semelhantes de isótopos entre a Terra e a Lua1, esses isótopos funcionam como “impressões digitais”, significam que cada planeta tem uma determinada quantidade de minérios radioativos e que para descobrir de onde vem determinada rocha basta observar a taxa de certos elementos. A Terra e a Lua compartilham a mesma taxa de isótopos e isso significa duas coisas: ou a Terra e a Lua nasceram no mesmo lugar, ou a Lua foi gerada pela Terra.
Chegamos ao ponto principal deste artigo: a origem da Lua.
Das muitas hipóteses, a mais interessante é a que leva em consideração a participação de um terceiro personagem: Theia. Esta hipótese acredita que, na mesma órbita da Terra, a 150 milhões de quilômetros do Sol, havia um outro corpo celeste chamado Theia, em sincronia gravitacional com nosso planeta e o Sol devido aos Pontos de Lagrange.
Quando Joseph Lagrange explica um segundo planeta
Em 1773 o matemático italiano Joseph Louis Lagrange estava trabalhando no “Problema dos três corpos” que estudava o equilíbrio
gravitacional entre três objetos. De acordo com a mecânica newtoniana, o equilíbrio gravitacional de um objeto é óbvio, pois o objeto em si sempre estará em equilíbrio consigo mesmo. Dois objetos também são fáceis de calcular porque estarão em equilíbrio com seu centro de massa, mas, um terceiro objeto aumenta de tal maneira o nível de complexidade dos cálculos que o problema parecia insolúvel à época. Era preciso calcular cada interação gravitacional entre cada um dos pares de objetos para cada um dos pontos ao longo da trajetória orbital.
Com a intenção de tornar o problema mais simples, Lagrange decidiu observar a trajetória em termos de ação sobre tempo, o que, basicamente, leva à lei do menor esforço: os corpos se colocariam em lugares tais que o equilíbrio seria alcançado em posições onde houvesse menor desperdício de enrgia2.
Com essa abordagem, encontra-se cinco pontos numa órbita circular onde três corpos equilibram-se gravitacionalmente: L1, L2, L3, L4 e L5.
Theia, a Terra e os pontos de Lagrange
Havendo um teorema matemático que justificasse sua existência, a hipótese de Theia surgiu na década de 70, sugerindo que ele se materializou nos pontos de Lagrange L4 ou L5 há 4,6 bilhões de anos, juntamente com a Terra e permaneceu em equilíbrio.
Como, nessa fase, ainda não existiam os planetas (eles eram protoplanetas), Theia ganhou, gradativamente, mais massa e desestabilizou o sistema Theia-Sol-Terra. Ao atingir uma massa semelhante à de Marte, Theia, numa órbita caótica, chocou-se contra a Terra.
O impacto não atinge diretamente a Terra, em vez disso, o choque oblíquo faz com que Theia seja absorvido pela Terra jovem, acrescentando massa e lançando ao espaço uma grande quantidade de detritos que dariam origem à Lua.
Baseados nisso os cientistas explicam o minúsculo núcleo de ferro da Lua, assim como as demais coincidências químicas entre o solo lunar e o solo terrestre, além de características que são encontradas em solos submetidos a altas pressões e temperaturas (como aquelas fornecidas por um grande impacto).
Na contra mão dessa teoria, as taxas de óxido de ferro (FeO) presentes no solo lunar estão completamente fora da proporção esperada (se a Lua tem 1/4 do tamanho da terra, deveria ter 1/4 da concentração de FeO, em vez disso tem somente 13%).
O mais interessante é que quando a teoria do “Grande Mergulho” foi primeiro apresentada na década de 70, causou larga gozação por parte da comunidade científica e, hoje em dia, ja é é considerada a que melhor explica o surgimento do nosso satélite que inspira poetas e intriga cientistas.

Esta animação ilustra a colisão de Theia com a Terra, bem como a ejeção dos detritos que, posteriormente, formaram a Lua.
[…] do ISRO … da NASA, a primeira tripula§£o a pousar na Lua em 1969, e que trouxe …Theia, o planeta desaparecido que deu origem a Lua | MosaicumTheia © o nome dado ao planeta que, de acordo com a teoria do Big Splash, colidiu com a Terra […]