Nietzsche, Nicht!

10 de março de 2009
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És escravo? Então não podes ser amigo.
És tirano? Então não podes ter ami­gos.
Há demasi­ado tempo que se ocul­tavam na mul­her um escravo e um tirano. Por isso a mul­her ainda não é capaz de amizade; ape­nas con­hece o amor.
No amor da mul­her há injustiça e cegueira para tudo quanto não ama. E mesmo o amor, reflexo da mul­her, oculta sem­pre, a par da luz, a sur­presa, o raio da noite.
A mul­her ainda não é capaz de amizade: as mul­heres con­tin­uam sendo gatas e pás­saros. Ou, mel­hor, vacas.
A mul­her ainda não é capaz de amizade. Mas dizei-me vós homens: qual de vós out­ros é, por­ven­tura, capaz de amizade?
Tre­cho reti­rado de “Do Amigo” em “Assim falou Zara­tus­tra”, por Friedrich Nietzsche.


Da escravidão e da tira­nia iner­ente ao ser humano em sua relação amorosa, pode­ria dizer que existe a mesma essên­cia tanto num quanto no outro sexo. No amor não há justiça, senão diante do quase impos­sível fato de se estar diante de pes­soas que con­seguimos amar na mesma forma e inten­si­dade. Mas, Niet­zsche, por que fos­tes tão burro ao igualar os sexos na inca­paci­dade de ter amizade no lugar de reduzi-los à mesma lou­cura do amor?

Junto com os sex­is­tas, abomino os ester­ióti­pos e toda forma de imposição de um pen­sa­mento con­ven­cional social. Não existe um homem sub­misso? Não existe uma mul­her autoritária? Um homos­sex­ual não pode ter moral? Um crim­i­noso não pos­sui dig­nidade? É tudo uma questão de opção? É tudo uma questão de deter­mi­nação? É-me repug­nante todo estigma social.

Não con­sigo dizer, como Voltaire, “Posso não con­cor­dar com o que dizes mas defend­erei até a morte que ten­has o dire­ito de dize-lo”, porque até mesmo a expressão do pen­sa­mento pode ser uma forma de vio­lên­cia ao próx­imo. Por­tanto, have­riam regras de pen­sa­mento que seja abso­lu­tas? Eu creio que há. Nem tudo é rel­a­tivo. Ainda que não seja abso­luto o con­ceito de “vio­lên­cia ao próx­imo”, quase sem­pre posso assumi-lo como um valor acima dos demais nas regras de con­vivên­cia social. Quase pode­ria con­cor­dar com Clarice Lispec­tor quando ela pede: “Escuta: eu te deixo ser, deixa-me ser então”, se não houve pes­soas com quem eu me impor­tasse. Não con­cor­darei com ninguém hoje!

Caro, Niet­zsche, lamento por não ter­des con­hecido as mul­heres com quem me envolvi e out­ras tan­tas que cul­tivo admi­ração e amizade. Mel­hores que eu em muitos aspec­tos. Fem­i­ni­nas, guer­reiras, tres­lou­cadas… e, ao mesmo tempo, meu baluarte.

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One Response to Nietzsche, Nicht!

  1. HENRIQUE on 20 de março de 2009 at 10:09

    A única obra de Niet­zsche que li foi, jus­ta­mente Assim falou Zara­tus­tra. Nessa época ficou-me bem claro que tratava-se de um homem pre­po­tente, arro­gante e que cai na besteira de ter con­ceitos “abso­lu­tos”. Emb­ora, claro, eu não dis­corde de tudo que ele diz, espe­cial­mente no tocante ao ateísmo.

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